quarta-feira

Entre Linhas e Calçadas


"O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas
Não importa se são ruins nem importa se são boas"

Fim de tarde, no fone de ouvido A Cidade na voz de Chico Science... E sem nada no estômago fujo pra onde aponta o meu nariz!

A noite esquece do meu sono, o sono se esquece de mim e eu me esqueço do resto do mundo.
Passeio em sua madrugada viajando com as minhas questões de calçada em calçada. E como crianças, atores ou poetas - sem motivos, mas com cem razões – interpreto tudo a partir do meu modo de sentir, me liberto de todos os pré-conceitos. Até que finalmente mergulho em mim mesmo e me deparo com uma nova questão: '-se temos uma eterna busca porque é que diariamente nos embriagamos com amostras grátis daquilo que realmente desejamos e ainda nos damos por satisfeitos mesmo sabendo que não significam nada?'

"E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs..."

Existem muitas coisas em volta da vida de um homem são. E essas coisas sempre deixam feridas no seu norte com marcas estranhas dos cortes das fugas que, quase sempre, são em vão. 
Mas eu tenho absoluta certeza que uma, cabeça quando foge da realidade já viciada, trás consigo as novidades do seu norte e não retorna igual a antes e nem aceita mais ser como os outros a sua volta!

"A cidade se encontra prostituída
Por aqueles que a usaram em busca de uma saída
Ilusora de pessoas de outros lugares,
A cidade e sua fama vai além dos mares..."

O vento que sopra leva tudo embora de um dia ruim. E nesse meio tempo o frio vem se instalando sem ninguém perceber. Embora algumas nuvens carregadas estejam sumindo, dando lugar ao cenário lá no alto sobre mim, eu espero pelo dia em que vá embora e se recolha trazendo a verdadeira esperança. Que revele o amanhecer. Que revele as estrelas mais brilhantes do novo dia. E que logo me mostre um sol grande e brilhante para iluminar as flores sem vida a nossa volta nesse jardim cheio de mentes que não pensam por si. Jardim cheio de sementes que não florescem, enfim.

"Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado. Bom pra mim e bom pra tu
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus

Num dia de sol, recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior."

3 comentários:

  1. Uma retrospectiva do pessoal, social e abstrato, adorei! :d

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  2. Até que finalmente mergulho em mim mesmo e me deparo com uma nova questão: '-se temos uma eterna busca porque é que diariamente nos embriagamos com amostras grátis daquilo que realmente desejamos e ainda nos damos por satisfeitos mesmo sabendo que não significam nada?'

    NOSSA SEM PALAVRAS, EU REALMENTE ADOOOREEI *-*

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  3. Também sou uma adoradora do sol, e espero que ele continue lá em cima, nos brindando. Assim como me surpreendi numa noite de domingo pelo teu texto, agora.
    Beijo!

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